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Do limão à limonada.

No final dos anos 1980, na Provarejo, Rachel Braga e eu, fazíamos, entre outros tantos clientes, o Shopping Center Recife. Conta gostosa, permitia boas viagens. E éramos uma dupla entrosadíssima. Só pra registrar, quem promoveu esse “casamento” Rachel/Nino foi o Delano D’Ávila, diretor de criação. O casamento deu super certo e até hoje somos inseparáveis.

Bom, voltando ao Shopping Recife, recebemos um job de Dia dos Pais. Campanha de jornal e TV. Essas datas – Pais, Mães, Páscoa, Namorados, Criança, Natal – me provocam algumas urticárias. Chega um momento em que o repertório esgota, dá medo de cair na pieguice, enfim, coça. E lá estava o job sobre a mesa implorando para ser executado. Demos o pontapé inicial no bate-bola, Rachel e eu, e começamos – ela ou eu, não me recordo – a cantarolar um tal de “Pá Pararapá Papai!”. Rápida no grafite, Rachel começou logo a rafear alguma coisa e o negócio foi ganhando corpo e a nossa simpatia.

E a TV? A grana era curta, pra variar. Nada de grandes produções. Tudo muito simples. Partimos, então, pra simplicidade que, na maioria das vezes, surpreende no final.

O bom da Provarejo é que tínhamos uma produtora no andar de baixo, a VT Center. Descemos e fomos à luta. Conversa vai, conversa vem, chegamos à conclusão que a saída seria um table top com um jingle bem bacaninha em cima de “Pá Pararapá Papai”. O músico convocado foi o Tavito e o briefing recebido por ele foi esse: “Pá Pararapá Papai, é isso aí, Tavito”. O “pai” seria o Guilherme Torres, diretor de arte, com três crianças, uma menina e dois meninos, numa bicicleta dessas compridas de três lugares.

Foto feita, chegou a hora de ouvirmos o jingle. Descemos para a VT Center e o que aconteceu foi uma sucessão de queixos caídos! O Tavito não havia feito um jingle “bacaninha”. Ele compôs uma pequena obra prima em cima de “Pá Pararapá Papai”. E essa era a letra, cantada por um corinho. A minha reação foi abraçá-lo emocionado. A única coisa que consegui fazer.

Resumindo: a campanha foi um sucesso, dentro da agência e na mídia. A Rachel e eu fomos escolhidos a dupla (acho que) do mês pelo Delano e a lembrança que ficou foi a melhor. Sem dúvida, essa foi a minha experiência mais marcante com sonorização porque, a partir de um comando tão simples como esse, “Pá Pararapá Papai”, nasceu uma música absolutamente deliciosa que jogou a campanha lá pra cima. Sem falar, claro, no trabalho primoroso da Rachel. Grande Tavito. Grande Rachel.

Curiosidade: o Guilherme, depois, veio a ser paizão de uma menina e de dois meninos. Assim como na ficção.

Nino Gariglio é redator com passagens pela Pubblicità, Provarejo, Chris Colombo, JVA, Agência 3, SGP, K! Comunicação Integrada, Repense. Atualmente está na Orkestra.

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3 Comentários

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  • Regina Célia Guimarães on

    Adoro seus causos…rs** um primor. Parabéns


  • Sandra Zamagna on

    Que delícia de texto.



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