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Imagem X Imaginação

O que é mais forte? A imagem ou a imaginação?

A imagem vale mais que mil palavras, isso já foi cantado e decantado. Mas a imaginação? Quanto vale a imaginação? Mais que mil sonhos? Mais que mil fantasias? Mais que mil viagens por universos odarísticos?

Einstein já afirmava que a imaginação vale mais que o conhecimento. Ela precede as grandes descobertas e as maiores invenções da história do homem. Ela é parte do nosso raciocínio, do nosso desenvolvimento e da nossa criatividade. E, se os olhos nos trazem a imagem clara e viva dos acontecimentos, os ouvidos nos despertam a imaginação.

Uma simples música pode acender romances não vividos ou momentos jamais esquecidos. Podemos fechar as pálpebras, dançar sozinhos e sentir a sensação de um abraço ou de um beijo, enquanto ouvimos “Je t’aime, moi non plus”. Ou – ainda – alcançar percepções lisérgicas ao som de um bom e pesado Led Zeppelin ou Deep Purple.

Alguns ruídos despertam a nossa memória primitiva e nos trazem um inexplicável e estranho medo – provavelmente barulhos que aterrorizavam nossos antepassados mais distantes, em suas lutas pela sobrevivência.

Outras notas musicais ainda, galhofeiras por natureza, nos provocam risos e prazeres escondidos em nossas primeiras experiências infantis.

Imagem ou imaginação? Por onde enxergamos melhor? Nervos óticos ou auditivos?

Sempre fui contra a apresentação de um filme para a televisão através de um frio storyboard visual. Contar a ação e deixar o cliente viajar e visualizar a narrativa me parece um processo muito mais quente, mais rico e bem mais eficiente.

E é exatamente essa capacidade de mexer com emoções e sentimentos, através do universo imaginário, o grande trunfo do rádio – esse veículo totalmente desprovido das tais mil palavras a que correspondem uma imagem.

Quantas vezes os dribles de um craque não ficaram muito mais bonitos na voz de um locutor? E quantos golaços, então, não nos pareceram muito mais aço, aço, aço?

O pedido de criação de qualquer spot é uma dádiva para o redator. Ele vem sempre anexado a uma aventura fantástica, através de um mundo riquíssimo e pouco conhecido. Uma viagem à escuridão das cavernas pré-históricas, onde a capacidade de ouvir a natureza poderia fazer toda a diferença entre ver o sol novamente ou não.

Durante muito tempo, fiquei absolutamente abismado com a quantidade de desperdícios e de oportunidades jogadas nas lixeiras das agências de propaganda. Por diversas vezes fui testemunha de campanhas em que as peças de rádio eram cópia fiel do áudio das peças de TV (o que – em geral – não fazia muito sentido, mas elas eram aprovadas e veiculadas mesmo assim).

O rádio, tão rico em possibilidades, foi por muito tempo injustamente considerado o “primo pobre” da publicidade.

Na verdade, criar é mergulhar num nada em que enfrentamos diversas provas e desafios. E onde mais encontramos um nada tão retumbante? Uma escuridão tão desafiadora e instigante? Uma falta de luz que necessite tanto a nossa iluminação?

O criador de verdade adora o rádio porque ele é a mídia que oferece o maior grau de dificuldade para suas associações de idéias. Desta forma, o profissional vibra muito mais com os resultados encontrados e os prêmios para o setor acabam revelando peças absolutamente geniais. E elas são muitas.

Soluções arrepiantes, que não utilizam cor, lentes, zooms, fotos, ilustrações, grafismos ou qualquer tipo de imagem. Mas que usam e abusam da imaginação.

Jorge Barros
Redator da Cuca Design

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