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No principio era o Verbo…

Sou de uma geração de criativos que teve sua formação educacional marcada pelo texto e pela palavra. E palavra, antes de ser imagem, é Som, concordam? Esta geração, quando entrou na profissão, ao longo da década de 60 tinha maior intimidade com o Rádio, digamos, nossa mídia eletrônica de uso mais intenso. Lembre-se de que TV no Brasil começou em 1951 e até a primeira Copa, a de 58, ouvimos pelo Rádio.

Eu estagiei no Departamento de Radio /TV / Cinema da Standard Propaganda, hoje Ogilvy, quando entrei em campo. Fiquei lá 30 dias antes de ser efetivado como assistente de contato. Sabe o que eu fazia? Chegava às oito da manhã para ouvir num aparelho de radio, um programa transmitido pela Radio Bandeirantes, creio, patrocinado pelos Biscoitos Duchen, cliente paulista da Standard e meu trabalho era acompanhar como estavam sendo transmitidos os spots e jingles programados nos breaks.

Lembro-me que um dia o Sangirardi Jr, um dos maiores Redatores que conheci, me chamou e entregou seis textos de spots de 30” e disse: “vai lá no Studio do Russo do Pandeiro, leva estes spots e “acompanha” a gravação”. Eu tinha feito 20 anos na semana anterior e cheguei lá com medo. Os spots eram da Parker Quink, uma tinta especial para as famosas Canetas Parker.

O Russo do Pandeiro, lendário musico brasileiro que rodou pela Europa tocando pandeiro e namorando mulheres célebres como, por exemplo, a Josefine Baker que, de passagem pelo Brasil, se apaixonou por ele e o colocou na bagagem, me chamou num canto do studio e falou:

“Tô vendo que você é garoto novo, o San me disse que você vinha acompanhar. Fique tranquilo, os locutores que vão gravar estes textos são feras (eram o Correia de Araújo e o Américo Vilhena), vai correr tudo bem”

Deu certo, cheguei a Agencia com os acetatos dos spots e vieram me cumprimentar, depois que foram ouvidos, como se eu tivesse tido uma participação essencial no trabalho. Isso pode ter contribuído para minha efetivação semanas depois.

Oitos anos depois, quando iniciava uma parceria com o Chico Feitosa, o Chico Fim de Noite, um dos músicos que fazem parte do núcleo que fez nascer a Bossa Nova, começamos uma Produtora, a Planisom, enfrentando uma competição dura com os jinglistas da época, entre eles o lendário Jorginho Abicalil, o Miguel Gustavo (que não tinha estudio nem tocava nenhum instrumento, mas criou os maiores sucessos de jingles deste país, como, por exemplo, aquele da Copa dos 90 milhões em ação).

Mas tinha mais gente boa na área de Produção de Fonogramas:

O Henrique Meyer, Reginaldo Bessa já impunha um estilo todo seu, sobretudo nos jingles políticos, o Tavito (este fazia muita coisa com o Ivan Lins e com o José Rodrix). Ainda faltavam alguns poucos anos para que o Passarinho, Wanderley e Renato, bem como o Gaúcho entrassem na roda, fazendo coisas inesquecíveis como fazem até hoje.
Posso ter me esquecido de citar muita gente de talento que contribuiu e contribui para a qualidade do Som de nossa Propaganda.

Peço perdão, mas saibam que ficou gravado.

Marcello Silva
Um dos mais conhecidos redatores cariocas de sua geração e, atualmente, Gerente de Novos Negócios da Giacometti Comunicação/ Rio

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1 Comentários

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  • Evandro Barreto on

    Marcello,
    Conheci você nessa época, quando fui contratado como redator pela Standard, por indicação do Sangirardi, e daí por diante nos esbarramos ao longo dos anos, em diferentes agências e circunstâncias. Nas sua relações íntimas com o som, gostaria de lembrar o que você não escreveu, por modéstia. Em uma palavra, kirie. Conte pra turma. Abraços. Evandro Barreto


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