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Um DJ fazendo anúncios

Lá pelos idos do colégio Bahiense da Gávea, onde eu estudei no ensino médio vindo do São Marcelo, no mesmo endereço, meu interesse por música já era grande.

Lembro de ser ainda um pré-adolescente quando minha madrinha e tia chegou em Nogueira, Petrópolis, onde passávamos as férias, falando de uma nova casa noturna do Ricardo Amaral chamada Papagaio’s.

Não era um club privê, mas uma “discoteca” enorme, com som e luz por todos os lados e as melhores músicas da época.

Já tinha algum envolvimento com a música Disco e os toca-discos Technics 1200 MK2. Meu irmão mais velho já tinha o equipamento e um amigo do colégio, o José Eduardo Azevedo (hoje publicitário como eu) também.

Eu então fiquei imaginando como seria aquele ambiente da Papagaio’s e descobri que havia todo domingo uma matinê para crianças metidas a adolescentes como eu.

Assim que descemos para o Rio parti para a tal sessão especial de domingo à tarde. Já na fila para entrar, conheci um garoto da minha idade, cheio de discos debaixo do braço já com pinta de DJ. Era o ate hoje amigo Marcello Mansur, DJ de mão cheia.

Dali em diante comecei a colecionar discos e comecei a me meter nos toca-discos e no mixer do meu irmão mais velho.

E aprendi tudo da arte de mixar.

E, voltando ao Bahiense, na semana de comunicação nossa turma resolveu fazer uma réplica da rádio cidade, revolucionária FM na época.

Tudo desculpa para transformar a sala de aula em uma boite durante os dois dias da feira, onde cada turma apresentava um projeto na sua sala de aula para toda a escola.
Não preciso nem dizer o quanto a nossa sala bombou.

Eu nas carrapetas, que a essa altura já eram minhas e as brigas com meu irmão pararam, me divertindo mais que todo mundo na pista.

Dali foi abrir uma “equipe de som” com os amigos Pedro Mello, Rodrigo Vieira e Marcelo Maia, todos colegas de colégio e metidos a DJ.

Os três, na verdade, tornaram-se DJs em boites incríveis como Hipoppotamus, Studio C, Calígula e outras da noite da época, só eu fui atropelado por uma paixão ainda maior, pela propaganda.
Nos primeiros anos de agência, eu ainda dava uma de David Tabalipa e tocava no People Down e em festas além de trabalhar em agência.

Fui nutrindo ao mesmo tempo uma paixão por Frank Sinatra.

Cheguei a apresentar um programa na Radio Globo FM especial sobre Sinatra.

Paralelamente continuava em casa e muitas vezes na agência a “brincar” nas carrapetas.

Sempre gostei de criar de headphones e vinis ou CDs rodando.

Na JWThompson, minha sala tinha som e luzes de boite e pelo menos uma vez por semana a música tomava conta no Happy hour com a turma da criação – André Pedroso, João Bosco, Jorge Falsfein, Naninho Gouvêa – e do atendimento, da mídia, do estúdio, RTV, enfim da agência toda (e ainda convidados) rodopiando pela criação da agência ao som do melhor da dance music da época.
Meus amigos Pedro, André e Marcelo, junto com o Perico, outro amigo do ramo, viraram donos de boite, a Press, na Barra.

E lá ia eu tocar de noite depois de fazer anúncos de dia.

Nessa altura eu já era Diretor de Criação mas insistia em ter meu tempo de DJ esticado à noite.

O tempo passou e apesar de minha paixão por música continuar a mesma, nos últimos anos já não dá mais para tocar na cabine à noite e tocar a agência de dia.
Sinatra e a música dance atual e de todos os tempos continuam, sempre, frequentando a minha casa.

Há dois anos fui convidado pelos mesmos Marcelo Maia e André Werneck para fazer uma participação especial em um programa na Radio Paradiso.

Me diverti horrores.

Meus filmes tem na trilha sempre um cuidado ainda maior, adoro spots de rádio e tudo o que tem relação com som.

E parafraseando a frase popular, música é música para os meus ouvidos.

Gustavo Bastos é Sócio Diretor de Criação da 11:21

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1 Comentários

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  • Janice on

    Mil faces, mil facetas. Como sempre, incrível.


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